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Brasileira desenvolve plástico comestível com extrato de cacau

Brasileira desenvolve plástico comestível com extrato de cacau

Em uma onda de consciência ecológica e críticas de ambientalistas, os canudos biodegradáveis já são uma realidade em bares, restaurantes e redes de fast food. Agora, o plástico para embalar alimentos pode ser o próximo aliado da natureza.

Larissa Sandes, de 25 anos, recém-formada em Engenharia de Alimentos, se dedicou durante três anos à pesquisa e desenvolvimento de uma embalagem ativa. O produto, além de se desintegrar mais rapidamente no meio ambiente, prolonga a vida útil dos alimentos.

No começo de novembro, ela publicou o resultado da pesquisa desenvolvida na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia e explicou que o plástico foi testado na preservação de salsichas. "Incorporei neles um agente antioxidante que atua na proteção de fatores externos, como umidade e oxigênio, que acelera a oxidação dos alimentos", disse em um vídeo.

Na última semana, a publicação dela viralizou nas redes sociais e muitas pessoas elogiaram a ideia. No entanto, ela deixa claro que não criou o material. "Outras instituições trabalham com isso também, mas quis fazer diferente no sentido de falar sobre o tema", contou ao E+.

"Meu intuito maior foi mostrar para a população que existem alternativas fantásticas na área acadêmica, chamar a atenção para esse lado", disse sobre o vídeo que gravou. Larissa afirma que, depois que a publicação viralizou, pequenas empresas a procuraram a fim de adquirir o plástico comestível.

"[Me procuraram] meninas que vendem produtos veganos, gente de São Paulo, do Rio. Todos interessados em minimizar o uso de embalagens [plásticas convencionais]". Ela afirma que o diferencial da pesquisa foi comprovar que o material aumenta a vida de prateleira dos alimentos com a ajuda de um antioxidante orgânico, extrato de cacau.

O plástico produzido a partir do petróleo pode demorar de 200 a 500 anos para se decompor quando descartado na natureza. O material desenvolvido por Larissa pode levar apenas dois meses e sem prejudicar o meio ambiente. Isso é possível porque ela usou na produção do plástico alimentos biodegradáveis, como amido de milho e fécula de batata.

Produção em larga escala
Larissa tem conversado com sua orientadora, a professora Cristiane Patrícia, sobre a possibilidade de atender à demanda de quem a procurou. "Ela estava pensando em comprar as máquinas para fazer. A universidade tem fundos para projetos, mas os equipamentos são muito caros", contou.

De qualquer forma, Larissa já considera que a repercussão foi positiva. "Dá um gás para que isso vire realidade no Brasil". Além disso, ela nota que foi um incentivo para outros jovens. "Recebi várias mensagens de pessoas que agora querem cursar Engenharia de Alimentos. Isso é muito legal porque a gente está passando por um momento difícil no Brasil, em que a educação acadêmica é ignorada e estou vendo muita gente desistindo", disse.

Tendo saído da universidade há quatro meses, Larissa não pretende ingressar em um mestrado agora. Enquanto isso, quer tornar os temas que aprendeu na graduação mais familiarizados do público, com uma linguagem simples e diferente "dos vídeos formais com uma pessoa de jaleco que não chama atenção de ninguém". Fonte: E+ Estadão

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