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Liberdade, Educação e Democracia

Há liberdade “real”? Somos livres? Pode parecer inequívoco, redundante, desnecessário abordar essa questão que, ao menos, preliminarmente, sugere uma resposta inconteste: sim, somos livres. Entretanto, antes de responder, assim apressadamente, preciso tentar esclarecer o significado de liberdade e nesse contexto, correlacioná-lo à Educação e à Democracia.

O senso comum pode definir liberdade como sendo a autonomia da vontade e o poder de se fazer escolhas, ou simplesmente, decidir o seu próprio destino. (Deixemos à parte, por ora, se isso é possível, as questões filosóficas pertinentes a este tema). Entretanto, convém pensarmos mais detidamente: podemos ser livres dentro de uma sociedade conduzida por leis? Talvez sim, caso possamos colocar, especialmente, e prioritariamente a Educação como fermenta essencial para a liberdade e também para a democracia. É preciso educar-se, continuamente, para nos aproximarmos destes objetivos.

Paulo Freire (1921-1997), educador brasileiro, disse certa feita: “se a educação sozinha não pode transformar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda.” Partindo-se deste princípio, entendo que a liberdade transcorre, conscientemente, pela necessidade de se priorizar a Educação, de maneira que possamos desenvolver indivíduos independentes, receptivos e perceptivos, mas, sobretudo, críticos e transformadores.

No nível ideal, o indivíduo que busca a liberdade, talvez consiga exercê-la, se, preparado pela Educação, puder se insubordinar, de maneira crítica, diante dos sistemas doutrinários, das manipulações governamentais, das falsidades da mídia e etc. Assim, suas escolhas, sejam elas do tamanho que forem, considerando-se suas prioridades, poderão expressar, franca e livremente, suas próprias posturas, ideias e personalidades, e não as posturas, ideias, e personalidades dos outros.

A Educação, voltada para o exercício da liberdade, precisa ser, sempre, emancipadora, crítica e criativa. Entretanto, não basta o conhecimento. É preciso decidir o que se quer conhecer, os objetivos a serem alcançados, as escolhas a serem feitas, e o que é preciso ser feito para se conhecer. Neste contexto, educar passa a ser um ato sócio-político revolucionário. A Educação emancipadora torna-se imprescindível e essencial para a liberdade e para a democracia. As relações entre Liberdade, Educação e Democracia, consequentemente, são indissociáveis.

Liberdade demanda igualdade. Uma igualdade que se afirma na distribuição do poder. Que alterna o poder. Uma sociedade livre pressupõe uma relação igualitária. Caso contrário, mudaremos a ironia de George Orwell (1903-1950), escritor e jornalista inglês: pode haver uma sociedade onde todos são livres, porém, alguns são mais livres que outros. Liberdade, portanto, se harmoniza com a prática da democracia. Afinal, a democracia habitualmente se afirma como o exercício da liberdade. A liberdade, deste modo, se consolida a partir de uma base educacional comprometida com a igualdade entre as pessoas.

Liberdade significa não se sujeitar. Ser livre implica também em não se subordinar ao poder de outro. Assim sendo, liberdade demanda Educação e ao mesmo tempo igualdade, diversidade e democracia. Deste modo, educar para a liberdade não é uma utopia, é uma realidade alcançável, uma vez que se deseje a Educação e a própria liberdade.

Educar para a liberdade é a maneira pela qual pode ser contida a arbitrariedade, a violência, a sujeição, a exclusão e essencialmente a desigualdade.

O texto expressa exclusivamente a opinião do colunista e é de responsabilidade do autor

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