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MINHA FILOSOFIA

Há quem tenha medo do passado. Às vezes isto é compreensível: traumas, tristezas, vergonhas, amarguras, sofrimentos e muito mais, moram dentro dele. O que podemos fazer? Não sei ao certo (em verdade, ninguém sabe). Parece-me que uma boa alternativa é jogá-lo fora, esquecê-lo.

Simbolicamente, aquele passado, compara-se a uma mochila (tipo alpinista) que nós carregamos nas costas e está cheia de inutilidades. Impede-nos, portanto, de chegarmos ao topo da montanha. E para chegarmos lá, no alto, e apreciarmos a bela vista que é a única grande recompensa desta escalada (vida), nós precisamos jogar fora o que for inútil. Esta estratégia não significa jogar tudo fora, mas, apenas aquilo que não poderá contribuir para o nosso sucesso.

O tempo é infinito e sempre vencerá. Não dá para apostar corrida com ele. Não podemos retardá-lo, nem “domá-lo”, nem apressá-lo. Não podemos trancá-lo em lugar nenhum (principalmente no nosso passado!).

Para vivermos quase-felizes (ninguém minimamente lúcido – seja lá o que isso signifique – pode ser feliz completamente), é preciso esquecer. Esqueça, portanto. Esqueça agora. Esqueça já! Esqueça quem te magoou. Esqueça quem te ignorou. Esqueça quem te feriu. Esqueça quem não te amou. Esqueça quem nunca te pagou. Esqueça quem te ofendeu. Esqueça quem te trocou por grana. Esqueça o ódio e a fúria. Esqueça quem te esqueceu... Lembre-se do poeta Vinicius de Moraes: “A vida é arte do encontro, embora haja tanto desencontros pela vida!”

Novas coisas, não necessariamente melhores, devem ocupar o lugar das coisas velhas. A natureza nos ensina isso todos os dias, a vida inteira. É assim que funciona. Ignore o que não lhe interessa. Ignore aquilo que não contribui para o seu crescimento pessoal, familiar e profissional. Ignore-me! Ignore o que estou escrevendo agora e escreva você mesmo, imediatamente, na sua cabeça, aquilo que te interessa; aquilo que vai te fazer quase-feliz. Escreva ou reescreva sua vida. Escreva o que estiver sentindo. Ou então escreva apenas para realizar-se diante das coisas que você não pode (ainda) realizar.

Nem tudo muda, porém. Mas, você precisa descobrir isso. Só você pode descobrir e escolher as coisas que são importantes. Ninguém vai apontá-las para você (mesmo porque ninguém sabe quais são as coisas verdadeiramente importantes!). Algumas palavras, preferencialmente, as palavras poéticas, ainda fazem algum sentido, ajudam-nos. Alguns olhares, encantadores, como aqueles dos amantes apaixonados, ainda arrebatam e brilham, ajudam-nos também. Mas, lembre-se: algumas coisas não mudam porque são expressivas, intensas, fortes, significativas, inexplicáveis! O essencial, por exemplo, não muda.

Seja como for, somos frágeis. Não importa o quanto durões aparentamos ser. Por isso, de vez em quando, somos tomados por uma nostalgia profunda que não chega ser uma tristeza, mas, também não é uma alegria. Invade-nos, de repente, quase nos faz chorar (às vezes choramos), nos distancia de tudo, de todos, de nós mesmos e nos leva para um mundo vivido, porém, naquele instante, inteiramente novo, redescoberto... Vivemos apenas os momentos. A vida é feita de momentos. “Não há nada de novo sobre o sol”... Os gregos antes de Cristo já sabiam quase tudo sobre a vida e tentaram nos alertar. Kant também. Spinoza, Newton, Nietzsche, Patativa do Assaré e muitos outros.

Todos aqueles que se interessaram ou se interessam, despretensiosamente, pelo sentido da vida, sabiam ou sabem que não existe um sentido para a vida. Só momentos dentro do tempo. Portanto, não dá para esperar pela hora certa. Não dá para fazer antes da hora. Não dá para fazer depois. É isso: o óbvio é a solução prática para as questões filosóficas! À medida que caminhamos; aprendemos. E não há como sabermos, antecipadamente, quais os caminhos e o que iremos aprender. Viva melhor, o quanto puder. Caminhe, sempre para frente. E o mais importante de tudo isso: faça a sua própria filosofia!

O texto expressa exclusivamente a opinião do colunista e é de responsabilidade do autor

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