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Mercado do Cacau

O lado podre do cacau!

Vejamos e convenhamos; as novas regras na fiscalização sanitária para a importação de cacau não deverão surtir o efeito necessário à proteção da cacauicultura brasileira e das demais culturas nacionais, servindo de vantagem momentânea apenas a indústria; será que esqueceram que besouro tem asas e voa?

Penso que, o certo, o lógico, seria acontecer a vigilância sanitária na origem do produto a ser importado, como assim acontecia no passado, quando se cumpria a IN (Instrução Normativa) nº 23, de agosto de 1999, onde se fazia obrigatório às inspeções de pré-embarque, delegadas pelo MAPA; justo e necessário também, seria o acompanhamento dessa inspeção do MAPA com testemunhas autorizadas dos cacauicultores, representação legal de produtores de cacau, buscando reforçar essa proteção às culturas brasileiras; também, que próximo ao destino final da carga de cacau, houvesse uma 2ª fiscalização, um 2ª teste fitossanitário antes de atracar o navio no porto receptor do nosso país, que tal 2ª fiscalização fosse feito ainda em alto mar, pois, sabemos, além de outra doenças susceptíveis de entrar no nosso país, deveriam lembrar também que besouros tem asas e voam, se o navio já esta atracado em nosso território, logicamente o perigo torna-se eminente.

O perigo de infestação das culturas nacionais, através dessas referidas importações sem as devidas fiscalizações eficientes, onde tal tipo de atitude inconsequente pode extinguir a cacauicultura e outras culturas, isso atingiria em cheio primeiramente ao agricultor brasileiro em geral, especialmente falo aqui quanto ao cacauicultor, este, já vítima de praga violenta, imposta criminosamente na região cacaueira baiana através de terrorismo biológico.

Mas não é só isso dito acima; pecado pior se comete quando conscientemente importa-se um produto que tem em sua origem trabalho escravo infantil.

Para não me aprofundar no assunto escravidão infantil no cacaual da África, sugiro que assistam ao documentário do dinamarquês Miki Mistrati, “o lado negro do chocolate”, todavia, posso-lhes afirmar que a escravidão infantil no cacaual de algumas regiões da África é a pura realidade, aproximadamente 300 mil crianças são submetidas a escravidão no cacaual desse continente africano, centenas mais centenas e crianças são sequestradas entre tribos rivais e levadas a trabalho forçado nas plantações de cacau.

Nos, um dos maiores consumidores mundial de cacau, não podemos coadunar com essa barbárie, e agora, que estamos sabendo, ao consumirmos chocolate de origem africana, dependendo do local de origem desse produto, poderemos estar prevaricando, “fechando os olhos,” diante dessa cruel realidade de escravidão infantil em pleno século XXI, o que é imoral, ilegal, desumano, inadmissível, monstruoso, incompatível com uma raça humana que busca justiça e igualdade social”.

A indústria é parceira, precisamos dela, ela também precisa de nos. Porém, acima de nos como produtores e consumidores, acima da indústria moageira, acima dos fabricantes de achocolatados, existe o respeito ao ser humano; há de se ter máxima proteção contra a introdução de pragas exóticas, há de ter forte repúdio ao trabalho escravo infantil, isso é da maior importância para a preservação e evolução da raça humana.

texto: Dorcas Guimarães Espírito Santo. (cacauicultor)

O texto expressa a opinião do colunista e é de responsabilidade de autor. 

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